Grupo NOSMULHERES. Pela Equidade de Gênero Étnico-Racial
Pesquisadores:
Mônica Conrado
Lilian Sales
Denise Cardoso
Eneida Assis
Luanna Tomaz
Samuel Souza
Samai Serique
Shirlei Florenzano
Rayza Sarmento
Francielle da Silva Quaresma
Julia Souza
Sheyla Rosana Oliveira Moraes
Leila Moitinho Bentes
Vivian Gavinho
Milton Ribeiro Filho
Elane Pantoja
Maria de Nazaré de Oliveira Rebelo
Gabriela Pereira Maurity
A articulação entre as questões derivadas das temáticas do gênero, das demandas originárias das diferentes faixas etárias, dos diferentes grupos étnico-raciais e das diferentes classes e frações de classe constitui uma perspectiva rica para a pesquisa nas ciências sociais e para a ação estratégica sobre a vida social. Nos locais periféricos aos centros dinâmicos do capitalismo se fazem sentir as consequências mais cruéis desta forma de organização social. A Região Norte do Brasil possui os piores indicadores sociais deste vasto país. O estado do Pará é um exemplo da triste designação de possuir os piores indicadores econômicos do país; além das enormes desigualdades sociais e crescimento desordenado também ostenta altos índices de violência contra quaisquer grupos locais que se organizem para defender seus direitos. No que se refere ao tráfico de pessoas, à exploração do trabalho infantil doméstico e ao trabalho escravo, o Pará possui os índices mais elevados do país.
Neste Estado a pobreza e a falta de acesso à educação formal, somadas à desigualdade de gênero, comprometem em demasia o seu desenvolvimento social. Questões vinculadas aos direitos das mulheres, das crianças e de adolescentes, violência e mulher, juventude e violência e relações raciais, e suas inter-relações mostram-se de grande relevância político-econômico-cultural para a realidade local, regional, em conjunto com outras questões de igual importância, como a discriminação aos trabalhadores e trabalhadoras, o tráfico de meninas e mulheres para fins de exploração sexual, comercial e outras.
O Grupo tem o papel de articulador estratégico e propulsor de iniciativas que reinscrevam a cor/raça e/ou etnia como componente simbólico instituinte de sujeitos sociais inter-relacionados com gênero e classe. Tais contextos remetem a padrões tradicionais rígidos de desigualdade de gênero, cor e classe e às suas inter-relações, tornando-se cada vez mais imperativa a retomada deste foco de análise e interpretação para o campo de estudos voltados para as Regiões Norte e Nordeste brasileiras.
II) ÁREAS DE ATUAÇÃO:
Mídia e Racismo
Juventudes negras
Sexualidades
Gênero e violência
Gênero e práticas educacionais
Ações afirmativas em benefício das populações negras
III) ATIVIDADES DO PROGRAMA:
Cursos de capacitação, desenvolvimento de pesquisa e assessoramento de projetos de pesquisa e de extensão.
III) OBJETIVOS GERAIS:
O NOSMULHERES visa produzir projetos acadêmicos, articulados à realidade do norte do país sob a ótica de gênero, raça e/ou etnia e de classe, elaborados pelos/as pesquisadores/as associados/as.
A assessoria aos órgãos, às instituições, aos núcleos, às entidades e às associações já faz parte da realidade de algumas das afiliadas. São praticamente inexistentes grupos de estudos e núcleos no interior das universidades na Amazônia que contemplem a questão racial, de gênero e de classe em suas transversalidades em nome do combate às discriminações raciais e de classe, como também as desigualdades de gênero, visando a um estreitamento profícuo com os movimentos sociais da Região Amazônica e do país. É nesse sentido que o NOSMULHERES é de suma importância para a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Pará - UFPA e para a sociedade civil de Belém e de toda a Região Norte de uma maneira geral.
VI) OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
Capacitação das mulheres nas diversas áreas e setores da vida sócio-política e econômica.
2) Visibilidade social e política às questões étnico-raciais e de gênero através de projetos sob novas percepções, novos olhares e, portanto, novas abordagens por incorporarem temáticas de gênero como de cunho fundamental para a análise de fenômenos sociais.
Incentivo e apoio à expansão de Projetos e às iniciativas que forneçam serviços para as mulheres em situação de violência doméstica e familiar, e de enfrentamento das discriminações sexuais e/ou étnico-raciais com cursos de capacitação, oficinas e demais propostas com atuações sociais e estratégicas.
Capacitação/qualidade técnica dos profissionais envolvidos/as no processo; ministrar cursos de curta duração: 60 horas para a formação da equipe (discentes envolvidos na iniciativa), incluindo profissionais que atuam no enfrentamento de violências específicas e no combate ao racismo.
VII) O NOSMULHERES VISA APOIAR E FOMENTAR:
1) Elaboração de propostas que tratem, em seu teor, de mecanismos garantidores da promoção da cidadania efetiva das mulheres para o reconhecimento de seus direitos para além da liberdade e igualdade formais: saúde, habitação, trabalho, meio-ambiente, lazer, cultura.
2) Contatos estreitos com centros, núcleos e órgãos federais que trabalhem com a temática gênero, raça/cor e/ou etnia e violência.
3) Busca por Fundos de Programa na área de violência doméstica no Brasil e no exterior.
4) Assessoramento e capacitações permanentes com as equipes de trabalho voltadas ao combate às violências específicas e de combate ao racismo e discriminações étnico-raciais.
VIII) META: Fornecer instrumentos sociais através de pesquisa, extensão e ações estratégicas para formação de uma rede com as universidades, instituições públicas, ONGs, órgãos e entidades comunitárias nacionais e internacionais sob a tematização das relações raciais e de gênero como incentivo à disseminação de debates acadêmicos, conjugados à produção de pesquisa de fôlego sobre as diversidades no âmbito da UFPA, com os movimentos sociais e com a sociedade mais ampla.
Iniciativa em andamento:
Projeto Gênero e Diversidade na Escola promovido pela SPM/PR e MEC/SECAD (em andamento).
Para a Região Norte, a formação do NOSMULHERES carrega em seu bojo a necessidade constante de perceber que as dinâmicas intraescolares, as vivências que são confeccionadas dentro da escola são experiências que se tornam, de alguma maneira, perpétuas no modo de ser e de se ver de cada um que por elas passa. Mesmo que não problematizadas, mesmo que interrogadas, mesmo que não enfrentadas, a vida que se vive dentro da escola marca todos/as nós. O nosso enfoque é o de incentivar, transpor a redução simplista da temática da diversidade que se pode ganhar sem um tratamento adequado. Isto acarretaria a “tradução” equivocada do debate atrelado a “fatores culturais” de uma sociedade permeada por valores marcadamente patriarcais, senhoriais, o que impediria, sobremaneira, a compreensão do tema em questão e de suas intersecções.
Na vivência escolar, sujeitos cumprem seus papéis, suas funções e atribuições. Relacionam-se uns com os outros como diretores/as, supervisores/as, professores e professoras, alunos e alunas e demais profissionais do setor administrativo que estão em constante contato uns com os outros. Percebem-se e veem-se como indivíduos singulares portadores de vontades, necessidades, de biografias. Trabalham na escola para educar alunos e alunas. Aos primeiros é concedida a responsabilidade de educar todos/as. Cabe lembrar que eles/as também são educados/as na escola.
Uma das características fundamentais que demonstra que iniciativas como esta é de extrema necessidade para a realidade local, regional é que a escola se torna, muitas vezes, o único espaço legítimo e privilegiado de interação, de sociabilidades, de elos de amizade que se tornam mais difíceis de ocorrer em outros espaços pela escassez ou, praticamente, inexistência de outros lugares igualmente legítimos e legitimadores de vínculos sociais. É na escola que, para muitos estudantes pobres, negros/as, meninas e meninos começa-se a viver um mundo que é diferente daquele que se vê dentro de casa, pela TV, pela janela, na rua.
A preocupação com o universo escolar, suas práticas educacionais e vivências sociais, por elas adquiridas, a reunião de pesquisadoras do âmbito das ciências sociais com experiência em coordenar projetos voltados à temática escolar é que originou a ideia de se oficializar o NOSMULHERES que atuará, também, para fortalecer grupos já consolidados e assessorar pesquisas que se dedicam à temática de gênero e de suas transversalidades que privilegiem a tematização das relações raciais.
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